Horto de Espécies Medicinais, Alimentícias e Condimentares da Faculdade de Ceilândia
Guaco
Galeria de fotos:
Botânica
Nome científico: Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker
Nomes populares: Guaco, guaco-cheiroso, guape, erva-de-cobra e coração-de-Jesus.
Origem: América do Sul. Ocorre principalmente no Brasil nas regiões Sul e Sudeste
Composição: sesquiterpenos e diterpenos, estigmasterol, flavonoides, cumarinas, resinas, taninos, saponinas, guacosídeos e ácido clorogênico.
Cultivo
Época de plantio: fim do inverno e começo da primavera
Propagação: feita por estacas..
Adubação: esterco de gado bem curtido, de aves ou composto orgânico, quando necessário.
Habitat: margens dos rios, crescendo espontaneamente em matas primárias, capoeiras, capoeirões, orla de matas, terrenos de aluvião, várzeas sujeitas a inundações e possui boa adaptação ao cultivo doméstico.
Época de colheita: é realizada a partir dos ramos terciários (ramos pendentes), no período da manhã, nos meses de julho e janeiro, 1 ano após o plantio, antes ou após o florescimento, pois apresenta maior teor de cumarina, principalmente no verão. A sabedoria popular recomenda a colheita das partes aéreas das plantas na lua cheia. É realizada com tesouras de poda retirando 60% dos ramos laterais e deixando intacto o ramo central.
Condições de manejo: adapta-se bem em ambientes com pouca luminosidade e não tolera deficiência hídrica, por isso a irrigação deve ser realizada em dias alternados. Necessita de tutoramento vertical em espaldeiras de arame liso, com cerca de 1,5 m de altura para facilitar a colheita ou em latada. Realizar adubação anual com 1 kg de esterco/planta.
O processo de secagem é realizado em estufa de ar circulante à temperatura de 45°C/36 horas. Após secagem, a droga vegetal (íntegra ou fragmentada) poderá ser armazenada em ambiente não úmido, ao abrigo da luz, por período máximo de 3 meses. Se necessário, a droga vegetal poderá ser pulverizda em moinho de facas (40 mesh), ressaltando que período de validade reduz para 2 semanas, devido a volatilidade da cumarina.
O cultivo em área de sombreamento parcial aumenta o teor de cumarina, assim como a sazonalidade e os métodos de cultivo também podem alterar a presença e concentração de princípios ativos. As espécies Mikania glomerata e Mikania laevigata apresentam diferenças na produção de constituintes químicos, como a cumarina (marcador das espécies e responsável pelas atividades farmacológicas), que se encontra em níveis baixos em M. glomerata e alto em M. laevigata.
Usos
Parte utilizada: folhas
Indicação: alivia quadros de tosse produtiva, asma, bronquite
Forma farmacêutica preferencial: decocção, tintura e xarope
Posologia:
Decocção: Adultos: 0,4 a 0,6g de folhas secas em 150 mL de água. Preparar por decocção, durante 5 minutos. Tomar 150 mL do decocto, logo após o preparo, duas a três vezes ao dia.
Tintura: 10 a 20g de folhas secas em 100 mL de álcool 70%. tomar 1,0 a 3,0 mL da tintura, diluídos em 50 mL de água, três vezes ao dia.
Xarope: 10 mL de tintura de guaco a 20% em 100 mL de xarope simples. tomar 15 mL do xarope, 3 vezes ao dia (GDF, 2018, BRASIL, 1998).
Nota: nos casos de afecções respiratórias agudas, recomenda-se o uso por sete dias consecutivos. Em casos crônicos, usar por duas semanas
Contra-indicações/precauções: Uso contraindicado para pessoas que apresentam hipersensibilidade aos componentes da formulação. Ao persistirem os sintomas durante o uso do fitoterápico, um médico deverá ser consultado. O uso é contraindicado durante a gestação, lactação e para menores de 18 anos, devido à falta de dados adequados que comprovem a segurança nessas situações. O uso da preparação de tintura é especialmente contraindicado para gestantes, lactantes, alcoolistas e diabéticos, em função do teor alcoólico na formulação. O uso contínuo não deve ultrapassar 15 dias, o tratamento pode ser repetido, se necessário, após intervalo de 5 dias. Doses acima das recomendadas podem provocar vômitos e diarreia, além de provocar sintomas dispépticos. O uso prolongado de extratos de guaco pode provocar taquicardia, vômito e diarreia
Interação medicamentosa ou com alimentos: Não utilizar em caso de tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais, nem simultaneamente a anticoagulantes, pois as cumarinas podem potencializar os efeitos do medicamento e antagonizar a atividade da vitamina K.
Bibliografia:
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira. Brasília, 2021. 126 p.
CZELUSNIAK, K. E. etal. Farmacobotânica, fitoquímica e farmacologia do Guaco: revisão considerando Mikania glomerata Sprengel e Mikania laevigata Schulyz bip. ex Baker. Rev. Bras. PI. Med., Botucatu, Guarapuava, v. 14, n. 2, p. 400- 409, 2012.
Mikania laevigata. Disponível em: https://fitoterapiabrasil.com.br/sites/default/files/formulario-fitoterapico/mikania_laevigata_preparacao_extemporanea_tintura_e_xarope_folha_2021.pdf. Acessado em: 20/10/24.
